A voz desagua como um rio...


"Palavras,
só palavras, nada mais]
que a vã matéria, o seu sentido]
eco de muitos ecos, repetido]
reflexo de poderes tão irreais]

como essas emoções graças às quais]
terei de vez em quando pretendido]
dizer um só segredo a um só ouvido
ciente de que nunca são iguais

os segredos e ouvidos que procuro
às cegas neste mar sempre obscuro
onde a voz desagua como um rio

sem nascente nem foz - apenas uma
incerta confidência que se esfuma
e só foi minha enquanto me fugiu."

"Arte Poética", poema de Fernando Pinto do Amaral
Fotografia de Chris Bazil, intitulada "Moonlight on the Rio Grande", in http://photoforum.ru/

4 comentários:

Dalaila disse...

PALAVRAS
nada mais que palavras,
que rimam no tempo,
que não têm ouvido,
porque nunca foram inventadas
palavras,
só palavras,
que são sentidas dentro de mim,
quero grita-las,
ao vento,
ao mar,
ao rio,
mas as minhas palavras não têm voz,
não têm remetente,
que palavras são essas,
que só existem porque eu existo,
que só falam quando foram parte do meu sangue,
mas que sangue?
esse das palavras,
essas que não foram inventadas,
essas que não existem,
essas que eu quero sussurrar-te,
a ti,
em ti,
ali,
sempre de forma diferente...

beijinho e boa semana

lupussignatus disse...

Olá Dalaila!

O sangue das palavras flui nos pulsos com a força do vento...

Muito bonito o teu poema. Obrigado :)

Continuação de uma óptima semana.

Aline Gallina disse...

Os segredos não deveriam, realmente, passarem de ouvidos! Fantástica essa comparação!
Beijo!

lupussignatus disse...

Olá Aline!

Vou contar-te um segredo:


(schhhh)


...gostei da tua visita :)