Da janela do céu abre-se
um solo que nunca viu o arado
uma oliveira que nunca sentiu
a fruição do fruto
Aquelas nuvens
com olhos de azeitona
Porque me miram assim?
Ainda é cedo para saber
A noite está madura
traz um diospiro nas mãos
V. Solteiro
Da janela do céu abre-se
um solo que nunca viu o arado
uma oliveira que nunca sentiu
a fruição do fruto
Aquelas nuvens
com olhos de azeitona
Porque me miram assim?
Ainda é cedo para saber
A noite está madura
traz um diospiro nas mãos
V. Solteiro
Abre os olhos, escuro!
Vê quanta claridade se esconde no maduro
núcleo da onda. Íntegro, queimas o sal em cada
inalação da matéria.
Sabes, o crânio é um frágil vaso de madrugada
que se sustém no parapeito das intempéries.
Inclina-o e mergulha-o no coral do recomeço.
A sede pelo fruto ganhará assim um outro apreço.
V. Solteiro