O défice do Ser!



Fontes sob
anoni
mato
confirmam
o que se temia:

O orçamento
é um ornamento
que esconde
a pobreza
do dia-a-dia!

O orçamento
é um tempo
que omite
a voz rasurada
da maioria!

A colecção
Outono-Inverno
de dois mil e sete
in all Portugal
apresenta
a seguinte ementa:

Desigualdades!
Pobreza!
Desequilíbrios!
Desemprego!
Precariedade!
Instabilidade!

O ritual dos
sacrifícios
não tem idade!

Seu fim
primeiro
é ocultar
a verdade
sob o manto
diáfano
da estabilidade.

Feitas bem
as contas
os números
enganam
o mais
precavido!

Feitas bem
as contas
os números
esganam
os sempre
preteridos!

O orçamento
geral
está
em particular
estado
de sítio!

Sentados
no lugar errado
dos bólides
de alta cilidranda
os orçamentistas
vivem
alheados
do que é
essencial:

A parcela da Humanidade!

A parcela de Humanidade!

Os en
cargos
dos Ministérios
são um autêntico
mistério!

A defesa -
área vital
para que corra
o sangue
da nação -
leva no estômago farto
uma fatia de leão!

A saúde
A educação
O ambiente
A cultura
- são um mero
apêndice de latão!

O diabo
dos números
escondem
o inverno
da injustiça:

dois milhões
de pobres;
meio milhão
de desempregados;
o fosso mais profundo
entre ricos e pobres.

Os défices
definham-nos!

Postos na
microscópica lente
do deve e do haver
os abusos são
a certidão de óbito
do Ser!


V. Solteiro, 19.10.07
Gravura retirada da revista Visão Online, edição nº 682, 30.03.06

4 comentários:

Dalaila disse...

Neste texto, está tudo!

A indignação.
A verdade.
A insaisfação.
A opinião.

Lido desta forma toca de maneira diferente, por um lado a poesia d´-lhe o toque de encanto e ao mesmo tempo entramos nas letras de forma diferente e andamos com elas no nosso interior, não nos esquecemos...

e com orçamento
com défices
sem colecções nos armários,
alguns na miséria,
outros na rua
com contas ou sem elas
o que é certo,que estamos a caminhar sem rumo!

Beijo não te prcas de ti

Mïr disse...

"(...) O orçamento
é um ornamento
que esconde
a pobreza
do dia-a-dia!

O orçamento
é um tempo
que omite
a voz rasurada
da maioria!(...)"



"(...) decorre agora a audiência !
é o governo confesso
na Tribo da paciência.
e sentam-se todos à mesa
tossem todos com gripe
e a malta sempre mais tesa
serve em s.bento de vip (...)"




"(...) Desigualdades!
Pobreza!
Desequilíbrios!
Desemprego!
Precariedade!
Instabilidade!

O ritual dos
sacrifícios
não tem idade!(...)"



"(...)saltam então os foguetes
e os martelos no chão !…
e o governo com banquetes
dá-nos a extrema-unção !…(...)"



"(...)Feitas bem
as contas
os números
enganam
o mais
precavido!

Feitas bem
as contas
os números
esganam
os sempre
preteridos!(...)"



"(...)e lá vem a Nau-Catrineta
que tem muito que contar…
a malta toda sem cheta
e a Outra sempre a roubar…(...)"



"(...)Postos na
microscópica lente
do deve e do haver
os abusos são
a certidão de óbito
do Ser!(...)"



"(...)eh que manada d’archotes
que leva a malta nos cornos
com os sumo-sacerdotes(...)"

"(...) ó glória de mandar (...)"





Excertos do poema "Na tribo da paciência", in P.I.M., UNI. Editora 1999, Maria Azenha.

lupussignatus disse...

Bom dia Dalaila!

Esta poemeto mal amanhado já cá andava a martelar há algum tempo...

Os risos cínicos e o artificialismo bacoco desta Cimeira europeia só o tornaram (ainda) mais premente...

Sabes o que te digo: que não se feche a torneira da poesia (nem que seja esta atamancada!).

lupussignatus disse...

Olá Mir!

Gostei deste dueto...

Mesmo sabendo que o vocalista do lado de cá tem uma voz, digamos, roufenha!... :)

Fim de semana com claves de sol...