As folhas caminham vo(g)ando...



Vogando
pela estrada
fora
as folhas
caminham
voando

De mãos dadas
com o infinito

Que esquissos
desenham no
seu voo
voluptuoso?

Que buscam elas
nas suas danças
de plumas
caprichosas?


Talvez um
renovado
chão
que alimente o
tronco
cujos ramos
frementes
suspiram
de novo
pelo beijo
do vento
outonal


V. Solteiro, 15.09.07


Nota: palavrinhas alinhavadas depois do visionamento do post "Caminho de folhas", publicado por Dalaila, no Farol no Vento do Norte - http://farolnoventodonorte.blogspot.com/
Fotografia de Kelly Barreto

6 comentários:

maat disse...

...cada folha de árvore se torna a página de um livro sagrado...que se vai revelando às crianças,porque estas estão mais perto do chão e do céu...

belo poema de folhas infinitas!

***maat

lupussignatus disse...

Olá Maat!

Carvalhos, castanheiros, bétulas, amieiros: as árvores somos nós, as árvores são nós. Raízes do tempo.
Os seus anéis de idades antiquissímas são a memória do chão que nos acolhe. De porte erecto ou inclinado, de rosto rugoso ou jovem, os seus ramos são braços que nos afagam, as suas folhas, olhos para pensamento...

Obrigado, Maat.

Continuação de bom fim de semana.

Dalaila disse...

Assim me busco, e me encontro nas folhas que voam na estrada... Que se renovem os chãos por onde vamos saltando...
Lindo o poema não conhecia, Obrigada!

lupussignatus disse...

Olá Dalaila!

É natural que não conheças; fi-lo na madrugada de sexta, depois de ver o post "Caminho de folhas" no teu blog :))

Dalaila disse...

Não sabia, desculpa, não sabia o teu nome!!!!!

E estava distraída não tinha visto as letras pequenas, era de manhã....

Maravilhoso! Que o meu farol, outros, a vida, o outono, o sol, te inspirem, porque é delicioso ler-te.

Viajo de mãos dadas nas tuas palavras, e me alimento com a tua poesia.

lupussignatus disse...

Olá Dalaila!

De manhã, é sempre um problema acrescido... :) Por mim, também as abolia e colocava num pedestal as madrugadas!

Obrigado pelo simpático comentário.