Fitoplâncton


Recolheu o silêncio da concha das mãos e absorveu-o
A alterosa pulsação do mar impregnava de gotículas as suas pestanas
Um poderoso frémito colava-se-lhe ao queixo

Havia horas que o dia falava ao ouvido

Ninguém melhor do que ele conhecia o alcance daquelas correntes 
moinhos subterrâneos a triturar o centeio da esperança   

A sua tez era já a luzidia escama de um peixe



V. Solteiro

Ceifa


De cada vez que o colocam à míngua
ele cresce
feito uma sequóia

De cada vez que a lâmina decepa
a base do seu tronco
ele renasce
raiz indestrutível

Ceifa o desaire
como quem colhe o trigo

V. Solteiro 




***


Fechado 


para inventário

de ignomínias


V. Solteiro