Fitoplâncton


a menina que falava com o mar recolheu o silêncio na concha das mãos e, perante a sua alterosa pulsação, encheu profundamente os pulmões com o seu poderoso frémito.
como peixe fora de água, sentiu o incómodo quando a Mãe a veio chamar.
"Não incomodes o senhor, Marisa!"
Havia horas que falava com o seu rumoroso interlocutor pela voz de um respeitável intermediário, um velho pescador que, todas as manhãs daquele verão, se sentava na exacta rocha a partir da qual lançava o seu isco. 
A julgar pelos espécimes que estavam no cesto, a pescaria não era o seu forte. Ou talvez o mar não estivesse de feição. Abençoada pela Mãe Natureza era a serenidade que dele emanava. A sua tez fazia lembrar à menina as luzidias escamas de um peixe...

Vítor Calé Solteiro 

1 comentário:

Às margens de mim. disse...

Bom dia!
Na alma do homem está a alma do mundo, o silêncio da sabedoria.
Tudo em nós funciona perfeitamente bem e em harmonia com a natureza. É o que há de mais bonito nos dias de hoje.