O Viandante


Os lábios
do vento
vibram
retemperadoras
sinfonias
pela
geografia
da pele

Os seus
sinuosos
braços
alíseos
possuem
a cadência
ondulante
do centeio
na planície
do vislumbre


Como pêndulos
os seus dedos
deambulam
pelo mapa
do fogo
reverberando
silenciosas
tempestades

As veias
dos caminhos
dilatam-se


O sal da língua
funde-se
com a terra
numa química
indecifrável

Ao viandante
qual folha outonal
revoluteando no ar
nada mais resta
do que deixar
enleiar-se pelo
doce e suave aroma
do fragor da brisa


V. Solteiro, 12.06.07

O corpo é o silêncio...



"Se duvidas que o teu corpo
Possa estremecer comigo -
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
- Desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
Às coisas do amor.

Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha -
Se tanto for necessário
Para ser compreendido."

"Se duvidas que o teu corpo", poema de António Botto, in "Canções"

Todos os dias...



"Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam um ano, e são melhores; há homens que lutam vários anos, e são muito bons; há outros que lutam por toda a vida, esses são imprescindíveis."

Bertold Brecht, dramaturgo, poeta e encenador

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertold_Brecht

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