Do deserto
O pó bebe do deserto
uma ínfima parcela de luz
Guarda as partículas que sobejam
no leito da duna
Assim o nómada no subterrâneo rio
do alaúde
V. Solteiro
Um tiro no escuro
Eleva a dor ao seu ângulo
raso Funde no vaso
o bronze mais puro
Rói a membrana do escuro
Ruminante é o vesgo
quotidiano
que verga
Enxerga
A raiz da luz
é ave cravejada
de chumbo
V. Solteiro
Sus.tento
Uma faca de luz
tomba
sobre a mesa do mar
A face lívida do seu gume
talha os frutos do ar
com um misericordioso golpe
Recolectora de pó e estrelas
a sua reluzente lâmina
navega pela aresta da escuridão
sem a mais leve relutância
Ávida
a rumorosa boca da maré
agradece a oferenda
com um banquete
de espuma e maresia
V. Solteiro
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