Livro-vivo...



folheio o corpo da montanha
como um livro
vivo.

primeiro, tomo o pulso ao cume
e aos hirtos abetos
que resistem
à brancura da página.

quando por fim estanco
no gume do desfiladeiro
deixo os seixos rolar
pelos dedos de bruma

Texto e fotografia
de V. Solteiro

Os pulsos do prado...


 

rubro
pelo fundo pulmão
do planalto
o garrano
desata nas crinas do vento
a pulsação da folhagem


na sua densa cabeleira
o ar penteia
o enlevo do feno

Texto e fotografia
de V. Solteiro

O re.colhimento dos frutos...

































canto o indizível
a força matriz da vide
na ramada do alento
o chilrear do vento
na copa da tarde

canto
isso me basta
se o fruto não tarda


Texto e fotografia
de V. Solteiro