Ou se muda o homem ou não se muda nada...


"Sou actor e não espectador. Estou bem quando faço e não tanto quando ouço ou vejo. Sofro de uma grande insatisfação. Não se pode viver sem utopia, a não ser talvez os pobres fulanos, cuja utopia se confunde com o que há e têm. Ou se muda o homem, ou não se muda nada."


Mário Dionísio, escritor, professor e crítico de arte


Para nos compreendermos...

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"(...) Aristóteles nunca se limitou a expor o que acontecia, procurando sempre o porquê. Para nos compreendermos, dizia, temos de compreender o universo; e, para compreender o universo, temos de nos compreender a nós próprios. O que acontece é que, desde essa altura, muita coisa mudou. Divorciando-se da natureza, os homens perderam a capacidade de consolo face ao horror que espreita aí fora (...)".


in "O Pintor de Batalhas", de Arturo Pérez-Reverte, pág. 87, edição ASA, Março de 2007

Furor marítimo...

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Ao golpe da onda contra a pedra insubmissa
a claridade explode e instaura a sua rosa
e o círculo do mar reduz-se a um cacho,
a uma só gota de sal azul que tomba.

Oh radiante magnólia solta na espuma
magnética viajante cuja morte floresce
e eternamente volta a ser e a não ser nada:
sal desfeito, deslumbrante agitação marinha.

Juntos, tu e eu, meu amor, selamos o silêncio,
enquanto o mar destrói suas permanentes estátuas
e derruba as suas torres de furor e brancura,

porque na trama destes tecidos invisíveis
da água desenfreada, da incessante areia,
nós mantemos a única e perseguida ternura."


"Soneto IX", de Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor", edição Campo das Letras, Maio de 2004, tradução de Albano Martins