"Muitas vezes esquecemos o que gostaríamos de poder recordar, outras vezes, recorrentes, obsessivas, reagindo ao mínimo estímulo, vêm-nos do passado imagens, palavras soltas, fulgurância, iluminações, e não há explicação para elas, não as convocámos, mas elas aí estão."
José Saramago, in "As Pequenas Memórias"
Fotografia de V. Solteiro
Assombraluz
maternal doçura a que emana da tua
sombra.
frondoso o berço de luz em que te deitas.
avassaladora
a força com que te agarras ao húmus do céu.
o teu esplendor é a prova maior
da insignificância do homem.
nada em ti é vão.
tudo em ti é voo.
a raiz da dignidade
Texto e fotografia
de V. Solteiro
de V. Solteiro
Tempo para pensar...
"Pára um tempo que fica doendo por dentro e passa por fora]
Pára o tempo do vento que é o contratempo da nossa demora]
Passam dias e noites, os meses, os anos, o segundo e a hora]
E ao tempo presente é que a gente pergunta e agora e agora?]
Tempo, para pensar cada momento deste tempo
Que cada dia é mais profundo e é mais tempo
Para inventarmos outro tempo menos lento
Tempo dos nossos filhos aprenderem com mais tempo]
A rapidez que tem de ser o pensamento
Para nascer, para viver, para existir
E nunca mais verem o tempo fugir
Ai o tempo constante que a cada instante nos passa por fora]
Este tempo candente que é como um cometa com laivos de aurora]
É o tempo de hoje, é o tempo de ontem, é o tempo de outrora]
Mas o tempo da gente é o tempo presente, é agora, é agora]
Tempo para agarrar cada momento deste tempo
Interminável e absoluto rasgo o tempo
Num temporal com os ponteiros do minuto
Tempo para um relógio bater certo com a vida
de um homem bom, de um homem são, de um homem forte]
Que da chegada conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte
Tempo para agarrar cada momento deste tempo
Interminável e absoluto rasgo o tempo
Num temporal com os ponteiros do minuto
Tempo para o relógio bater certo com a vida
De um homem bom, de um homem são, de um homem forte]
Que da chegada conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte"
"Canção do tempo", poema de Ary dos Santos
Pára o tempo do vento que é o contratempo da nossa demora]
Passam dias e noites, os meses, os anos, o segundo e a hora]
E ao tempo presente é que a gente pergunta e agora e agora?]
Tempo, para pensar cada momento deste tempo
Que cada dia é mais profundo e é mais tempo
Para inventarmos outro tempo menos lento
Tempo dos nossos filhos aprenderem com mais tempo]
A rapidez que tem de ser o pensamento
Para nascer, para viver, para existir
E nunca mais verem o tempo fugir
Ai o tempo constante que a cada instante nos passa por fora]
Este tempo candente que é como um cometa com laivos de aurora]
É o tempo de hoje, é o tempo de ontem, é o tempo de outrora]
Mas o tempo da gente é o tempo presente, é agora, é agora]
Tempo para agarrar cada momento deste tempo
Interminável e absoluto rasgo o tempo
Num temporal com os ponteiros do minuto
Tempo para um relógio bater certo com a vida
de um homem bom, de um homem são, de um homem forte]
Que da chegada conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte
Tempo para agarrar cada momento deste tempo
Interminável e absoluto rasgo o tempo
Num temporal com os ponteiros do minuto
Tempo para o relógio bater certo com a vida
De um homem bom, de um homem são, de um homem forte]
Que da chegada conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte"
"Canção do tempo", poema de Ary dos Santos
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