O nosso mundo é este...



"O nosso mundo é este
vil e suado
dos dedos dos homens
sujos de morte.

Um mundo forrado
de pele de mãos
com pedras roídas
das nossas sombras.

Um mundo lodoso
do suor dos outros
e sangue nos ecos
colados nos passos...

Um mundo tocado
dos nossos olhos
a chorarem musgo
de lágrimas podres...

Um mundo de cárceres
com grades de súplica
e o vento a soprar
nos muros de gritos.

Um mundo de látegos
e vielas negras
com braços de fome
a saírem das pedras...

O nosso mundo é este
suado de morte
e não o das árvores
floridas de música
a ignorarem
que vão morrer.
E se soubessem,
dariam flor?

Pois os homens sabem
e cantam e cantam
com morte e suor.

O nosso mundo é este...

(Mas há-de ser outro.)"



Poema "XVI", de José Gomes Ferreira, in "Panfleto Contra a Paisagem", 1936-1937


"MInd prison", fotografia de Paul Bracey, in http://www.photoforum.ru/

A substância da música...

"A música que ouço depois do jantar não é um lenitivo do silêncio, mas algo semelhante à sua substancialização:ouvir música uma ou duas horas todas as noites não me priva do silêncio; pelo contrário, a música é o silêncio a tornar-se realidade."

in "A Mancha Humana", de Philip Roth


"Lines of Music", fotografia de Norbert Dabkowski, in http://www.photoforum.ru/

Céu em convulsão

Tempestade de Primavera na Beira-Baixa,
a caminho de Castelo Branco
Fotografia de V. Solteiro