Sus.tento

Uma faca de luz
tomba
sobre a mesa do mar

  A face lívida do seu gume 
talha os frutos do ar
com um misericordioso golpe

Recolectora de pó e estrelas
a sua reluzente lâmina
navega pela aresta da escuridão
sem a mais leve relutância

Ávida 

 a rumorosa boca da maré
agradece a oferenda
com um banquete
de espuma e maresia

Vítor Calé Solteiro

3 comentários:

Graça Pires disse...

À boca da maré, um poema de luz navegando "pela aresta da escuridão" recolhendo estrelas...
Belíssimo poema.
Beijo.

Alysson disse...

O mar é um banquete infinito de possibilidades para quem quiser poetizá-lo ou encontrar, nele, poesia. Gostei do seu espaço! Forte abraço!

poesia de vieira calado disse...

Coisas interessantes, nesta maneira de ver o mar, registo.

Saudações poéticas!