Desfolhada

insubmissa aos incandescentes
adjectivos do estio
a folha
navega pelo ar 
a soletrar
o alfabeto do outono

no arpão verde dos ciprestes
pronuncia o embalo dos equinócios

Texto e fotografia
de V. Solteiro


6 comentários:

Moisés de Carvalho disse...

esse bailado so é possivel para quem tem olhos capazes de ve-lo !

parabéns pelo belo poema !

abraços !

Joaquim Maria Castanho disse...

Bandeira Natural Sob os Flashs de (M)Arina

Da lama da alma clamo na alameda dos álamos
A alquimia do olhar aceso à chama que ilumina
Enlevada calma enleia-me quando aludes a lidos
Acordes que acordam laivos de sonho na alegria
Ver-te aqui, entre as flores deste jardim escondido
Algures, lá onde as casas encontram suas portas
Mil, pelo menos, esculpidas como nichos de luz
Socalcos de cores no botaréu da escurecida noite
Amolecida, branda, breve liana de balancé o verbo
Oscila redondo e dito na ditada amálgama do ser
Diluído alento esse de esperar nas frinchas sólidas
Arejadas frestas da solidão onde o pequeno anuro
Desafia o sol sobre a rubra polpa da pétala veludo
Felpudo de ver, imaginar e não profanar ao toque
Como acaso feito símbolo que cresta iludida mente
A alivia do seu intrínseco desterro visceral emotivo
Que motiva quanto prende, e liberta quem entende.


Eis aí o secreto deleite do verde ser sobre a rubra capa
Que onde a esperança alcança o grito nasce outro mapa!

Lídia Borges disse...

Uma folha que "navega no ar" e neste navegar os tons e os sons de um outono presente.

Um beijo

Paula disse...

embalo...
triste
solitário
pioneiro no frio
embalo invitável
afável
alegre
cadente
quiçá
transcendente :D

Abraço

. intemporal . disse...

.

. derradeira a viagem rente.ao.solo.ouro de outono .

.

. um abraço, v. .

.

. paulo .

.

icendul disse...

mesmo submissa ao carrocel das estações, a folha tomba sem deixar de querer dizer: sobre o chão, recorta-se, de unidade à mostra; sob os pés, estruge, do humús ao ouvido.

bjns*