Guarida


recolho
ao casulo
onde um dia
fui crisálida


traído
pela voragem
dos insectívoros
astros
de novo quis ser
o ventre
o ovo
o ninho


menino
aninhado
entre fetos
musgo
e líquenes



Poema e fotografia de

V. Solteiro

12 comentários:

maria azenha disse...

...o eterno retorno à origem...

beijo,
mariah

João de Sousa Teixeira disse...

Metáforas ou metamorfoses?

Abraço
João

Lídia Borges disse...

"menino
aninhado
entre fetos
musgo
e líquenes"

É uma imagem bonita!
O menino encondido, em segurança...

L.B.

maré disse...

nada nos resta a não ser o consolo de um ventre
de um ninho

_____
cristal ou água
recolho-as e dou-as num beijo

Jefferson Bessa disse...

a busca pela proteção de antes...

retorno já transformado...

Um abraço.
Jefferson.

Sonia Schmorantz disse...

Ao menos em nosso ninho, as dores do mundo já não podem mais nos atingir...
Um abraço

gabriela rocha martins disse...

"guarida"
útero
génese

.....água.....


.
um beijo

Graça disse...

recolha para renascer


um beijo e bom fim de semana

AnaMar (pseudónimo) disse...

Como se fosse fácil permanecer sem apetecer retroceder...

Deixo um convite:

http://um-cha-no-deserto.blogspot.com/2009/10/convite.html

E Abraços e beijos

. intemporal . disse...

. da voragem de um lobo, .

. que tatuo na pele .

. re.abraço, sempre .

. paulo .

Vieira Calado disse...

Gostei deste poema,

ao jeito duma alegoria metamórfica.

Um abraço

antonior disse...

De facto,se fizermos o percurso total, todos nascemos velhos (com toda a sabedoria do mundo, sem a consciência dela) e morremos meninos no desgaste que nos volta a retirar a consciência dos tempos centrais. Tudo são ciclos. O fim e a origem sempre se encontram.

Um abraço.