As mãos da chuva



"nestes dias de frio londrino apetece ficar em casa
abrir um livro fechá-lo para o segurar ao colo
ficar na cadeira de repouso um pouco mais
ouvir as folhas dos pequenos arbustos
olhar de novo a pintura a óleo que sei de cor
enquanto vai anoitecendo no zumbido
de algum insecto vindo lá de fora do jardim
ou o tic-tac do relógio que se cola ao coração
em poemas de afecto
silenciosos
escondidos entre mãos"



"nestes dias de frio londrino", poema de Maria Azenha, in "A Chuva nos Espelhos", edição Alma Azul, Fevereiro de 2008

Fotografia sem título de Natalija Pajalina, in http://www.photoforum.ru/

2 comentários:

Mïr disse...

Apetece replicar:

"olhou o pão na mesa e deixou cair
as mãos como sementes
para que tudo crescesse a partir
do chão

(...)

as mães têm as mãos grandes"


Como escreve O BELO, Maria Azenha.

lupussignatus disse...

Olá Mir!

Lindo.

Treplico :)


As mães

têm as mãos

grávidas

de sementes