Líquida menina




A água caminha!
A água fala!
A água ri!
A água chora!

A água
é uma dançarina
esquiva:
ninguém sabe
onde mora!

Rio
lago
mar
ou charco:
toda a gota
tem a sua
identidade!

Uma coisa
a água jamais
fará:parar.

Mesmo presa
e amordaçada
em fundas
barragens
a água não
estanca
as suas
margens:

"O meu destino
é borbulhar
por fragas
e penedos
até desembocar
na boca do mar!

O meu desatino
é evaporar-me
nas ondas do ar
- e nunca mais
poder rodopiar!"


A água
que brota
do granito
da mina
é sábia
e pueril:
é líquida
menina!
Jorra luz
na face das
nuvens.



V. Solteiro, 23.11.07


"Líquida Menina" brotou do granito da serra depois de ver e ouvir o post de Hanah dedicado à água- http://www.alfazenite.blogspot.com/ - com música de Devendra Banhart
"Water Garden", fotografia de Ngeow Voon Chin, in http://www.photoforum.ru/

5 comentários:

Hanah disse...

a Poesia jorra...
na fonte água da vida...

beijinho de água

lupussignatus disse...

Hanah:

Esta espécie de poema é metade/metade: meu e teu.

Atiçaste a fogueira das palavras; eu dei-lhes combustão :)

Beijinho de correntes e torrentes.

Hanah disse...

Beijinhos

Dalaila disse...

a água entra no corpo e varre tudo,
limpa tudo,
atravessa-nos a torna-nos água,

onde está?
por onde entrou?
onde vive?
de que é feita?

não importa... desde que a água se respira do cheiro...

desde que as margens não a parem,
desde que os mantos não a cubram
será água, límpida, porq eu corre dentro de nós, e desaparece nos rio do olhos, quando já a pele não tem paredes para segurar.


O importante é molharmo-nos .....

Lindissimo

lupussignatus disse...

Olá Dalaila!

É um corpo de água este poema que escreveste. Liquefaz-se nos dedos porque foi tecido com o vapor da candura...

Obrigado.


"(...) será água, límpida, porque corre dentro de nós, e desaparece no rio dos olhos, quando já a pele não tem paredes para segurar (...)."