A canção tem sangue eterno...



"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada."


"Motivo", poema de Cecília Meireles, Rio de Janeiro, 1901-1964
Fotografia de Salmonpink, denominada "Music Box": http://www.photoforum.ru/

2 comentários:

Dalaila disse...

Eu não canto, porque sou péssima, afugento qualquer animal, pessoa, ou objecto, até eu fujo da minha voz "melodica"!!!!!

Mas canto por dentro, ritmada, com batuqes, e pianos, com trompetes e violinos, as baterias também estão e as guitarras ecoam... canto e vivo dentro da música, mas não quero deixar de sentir a música nem deixar de cantar, muda, não podemos ficar, nem que para isso os olhos tenham que ter notas!!

beijo

lupussignatus disse...

Olá Dalaila!

Há músicas dentro de nós. O ruído e a distorção é que nos afastam cada vez mais do encanto do canto. Interior.

Beijo. Boa semana.